Com a subida dos preços do imobiliário, encontrar casas mais baratas em Portugal tornou-se um desafio cada vez maior. Dados do INE mostram que, no terceiro trimestre de 2025, o preço mediano de venda já ultrapassava os 2.000€/m².
Ainda assim, continuam a existir boas oportunidades para quem procura investir. Descubra as regiões onde as casas são mais baratas em Portugal e o que explica esses preços mais acessíveis.
Litoral vs. interior: duas realidades na compra de casa em Portugal
Existe uma enorme diferença nos preços dos imóveis entre o litoral e o interior do país. As zonas costeiras apresentam os valores mais elevados, muito acima da média nacional. Estas são as regiões em que o preço por m2 tende a ser superior:
- Lisboa;
- Algarve;
- Setúbal;
- Porto;
- Região Autónoma da Madeira.
Lisboa e Algarve lideram no ranking de casas mais caras, com valores medianos acima dos 3.200€/m2. Mas fora destes locais ainda existem territórios onde as casas são mais baratas.
Em algumas regiões, mais afastadas do litoral e dos grandes centros urbanos, é possível encontrar imóveis a preços mais acessíveis.
Porque é que as casas mais baratas se encontram no interior?
O interior do país reúne várias vantagens para quem procura casas mais baratas em Portugal. Ao mesmo tempo, existem fatores que ajudam a explicar os preços mais baixos dos imóveis nestas regiões, como:
- Há mais oferta de casas para recuperar;
- A pressão turística é inferior;
- A densidade populacional é mais reduzida;
- A procura é mais baixa do que no litoral.
Nestas regiões encontram-se bonitas paisagens e há mais contacto entre as comunidades e a natureza, o que torna o dia a dia mais tranquilo. Tudo isto contribui para um aumento da qualidade de vida.
Em números reais, enquanto o preço de uma casa em Lisboa pode ultrapassar os 4.000€/m², existem regiões no interior onde ainda é possível comprar casa por menos de 600€/m².
Ou seja, se procura casas com valores mais acessíveis, o segredo é olhar para além do litoral.
5 regiões com as casas mais baratas em Portugal
Conheça as regiões de Portugal onde os preços das casas ainda se mantêm mais baixos.
1. Interior centro: Guarda e Castelo Branco
A região da Serra da Estrela, no interior centro, é onde se encontram as casas mais baratas em Portugal. Segundo o INE, no terceiro trimestre de 2025 foi a região das Beiras e Serra da Estrela que registou os preços mais baixos na venda de casas: 594€/m².
Nesta região, no Sabugal, distrito da Guarda, e em Penamacor, distrito de Castelo Branco, ainda é possível encontrar casas à venda abaixo dos 500€/m².
Nos municípios de Idanha-a-Nova (622€/m²) e Fundão (730€/m²) ainda existem casas à venda por preços abaixo da média nacional.
Ou seja, os preços das casas nos distritos da Guarda e Castelo Branco estão muito abaixo do valor mediano dos imóveis transacionados em Portugal, que ultrapassou os 2.000€/m² em 2025.
O enquadramento paisagístico e a gastronomia típica desta zona são também fatores atrativos para quem procura um estilo de vida calmo e um maior contacto com a natureza.
2. Interior Centro: perto de Coimbra
Outra zona onde as casas são mais baratas em Portugal é a zona perto de Coimbra.
Nos municípios de Penacova, Miranda do Corvo e Pampilhosa da Serra, ainda existem habitações com um preço de venda próximo dos 500€/m².
Aqui, as regiões mais rurais e afastadas dos grandes centros urbanos possuem um custo de vida mais acessível, o que as torna uma alternativa cada vez mais popular para quem pretende ter uma vida calma, fora das grandes cidades.
3. Zona de Portalegre, no Alto Alentejo
O Alto Alentejo é uma das regiões com as paisagens de planície mais bonitas de Portugal. No primeiro trimestre de 2024 as casas desta zona registavam o valor mais baixo do país.
Em 2025, os preços subiram e foi esta a região com o maior crescimento homólogo no primeiro trimestre (51,6%). Ainda assim, o Alto Alentejo mantém-se entre as regiões mais acessíveis do país.
No distrito de Portalegre, em municípios como Crato e Campo Maior, é possível encontrar casas a preços muito inferiores à média nacional, abaixo dos 800€/m².
A baixa densidade populacional garante um quotidiano mais calmo do que nas áreas mais populosas do litoral. A gastronomia alentejana é um dos encantos que atrai cada vez mais nómadas digitais e reformados, tanto portugueses como estrangeiros.
4. Beja, no coração do baixo Alentejo
Mais a Sul, a região do Baixo Alentejo surge nos dados estatísticos como uma das mais baratas para comprar casa em Portugal.
A cidade de Beja, capital de distrito, apresentava em fevereiro de 2026, imóveis com um preço médio de 1.814€/m², ainda abaixo dos valores praticados no litoral.
Neste distrito, municípios como Mértola, Serpa e Vidigueira continuam a oferecer opções mais acessíveis.
As paisagens únicas e uma forte tradição agropecuária fazem do Baixo Alentejo uma região cativante para quem procura viver de forma mais sustentável e com qualidade de vida.
5. Região de Viseu e Alto Douro Vinhateiro
Nos últimos anos, a região do Douro tem ocupado posição entre as cinco regiões mais baratas do país para comprar casa.
Esta zona integra o chamado Alto Douro Vinhateiro, território classificado como Património Mundial pela UNESCO. Aqui, os socalcos sobre o rio Douro, associados à produção de vinho, criam uma das paisagens mais icónicas de Portugal.
Os preços das casas na zona do Douro apresentam uma das melhores relações custo benefício do país, já que esta região combina paisagens deslumbrantes e produtos vínicos de excelência.
Em Armamar e S. João da Pesqueira os preços por m² ainda estão abaixo dos 700 euros.
O que justifica estas diferenças de preços?
Existem grandes assimetrias nos preços das casas em Portugal entre os territórios costeiros e o interior, o que acontece por vários motivos.
O litoral é onde se concentra a maior parte dos empregos, tanto na indústria como nos serviços. Por outro lado, a pressão do turismo e do investimento estrangeiro em áreas como Lisboa, Porto, Algarve e Madeira, agrava ainda mais a diferença de preços entre o litoral e o interior.
No interior rural, a emigração, o envelhecimento da população e o abandono da agricultura geraram um excesso de oferta imobiliária que manteve os preços das casas baixos durante décadas.
Hoje, esse cenário mudou e a procura por imóveis nas regiões do interior está a aumentar. Ainda assim, os valores das casas nestes territórios continuam muito abaixo dos praticados no litoral.
Em Portugal, existem ainda mais de 100 municípios com preços abaixo dos 1.000€/m², o que mostra que há muitas oportunidades de negócio fora dos grandes centros.
26 regiões com os preços médios
De acordo com o INE, estes são os valores praticados em 26 regiões de Portugal.
Região (Dsg NUTS III) | Valor mediano por m² de alojamentos familiares |
Beiras e Serra da Estrela | 594€ |
Douro | 729€ |
Beira Baixa | 731€ |
Alto Alentejo | 748€ |
Terras de Trás-os-Montes | 849€ |
Viseu Dão Lafões | 894€ |
Baixo Alentejo | 898€ |
Alto Tâmega e Barroso | 939€ |
Alentejo Central | 1.150€ |
Tâmega e Sousa | 1.160€ |
Médio Tejo | 1.200€ |
Alto Minho | 1.360€ |
Região de Coimbra | 1.390€ |
Região de Leiria | 1.400€ |
Região Autónoma dos Açores | 1.470€ |
Ave | 1.560€ |
Lezíria do Tejo | 1.590€ |
Região de Aveiro | 1.630€ |
Cávado | 1.880€ |
Oeste | 2.000€ |
Alentejo Litoral | 2.130€ |
Área Metropolitana do Porto | 2.350€ |
Região Autónoma da Madeira | 2.510€ |
Península de Setúbal | 2.710€ |
Algarve | 3.200€ |
Grande Lisboa | 3.570€ |
Vale a pena comprar casa no interior?
Esta decisão envolve mais do que questões financeiras. O teletrabalho trouxe novas oportunidades para quem quer sair das grandes cidades sem sacrificar a carreira profissional.
Por outro lado, muitos municípios do interior têm programas de apoio para atrair novos moradores, como benefícios fiscais, incentivos à reabilitação de imóveis e apoios ao empreendedorismo local.
Se procura casas mais baratas em Portugal sem abdicar da qualidade de vida, as regiões das Beiras, do Alentejo e do Douro são uma alternativa cada vez mais valorizada. Para tirar o melhor partido destas oportunidades, é fundamental informar-se, comparar cenários e contar com o apoio de profissionais especializados.