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Como comprar casa em Portugal: guia passo a passo

Descubra como comprar casa em Portugal, com dicas sobre custos, financiamento e documentação necessária.

Tempo de leitura 13 min

Como comprar casa em Portugal

Comprar casa é uma das decisões financeiras mais importantes da vida de qualquer família. Se quer saber como comprar casa em Portugal, este guia explica todo o processo passo a passo, com foco naquilo que realmente importa: evitar erros comuns, tomar decisões informadas e avançar com segurança.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o acesso à habitação continua a ser um dos principais desafios para as famílias em Portugal, devido ao aumento dos preços e ao maior esforço financeiro exigido. Assim, planear bem antes de avançar é essencial para garantir que a compra é sustentável e adequada às suas necessidades.

Porque é que comprar casa exige mais do que encontrar “a casa certa”?

Um dos erros mais comuns de quem quer comprar casa é pensar que o processo começa na pesquisa. Não começa.

Antes de começar a pesquisar e ver casas, deve perceber:

  • Quanto pode gastar (sem comprometer a sua estabilidade financeira);
  • Se precisa de crédito habitação e em que condições;
  • Se a compra faz sentido no momento atual da sua vida.

Comprar casa sem este enquadramento é o caminho mais rápido para decisões menos acertadas.

Como comprar casa em Portugal? 8 passos a seguir

Antes de avançar, é importante perceber que o processo de comprar casa envolve várias etapas, e ignorar alguma delas pode trazer riscos ou surpresas desagradáveis.

Para ajudar, reunimos os oito passos mais importantes para comprar casa em Portugal, de forma prática, para que saiba exatamente o que fazer em cada fase.

1. Definir um orçamento realista e sustentável

O orçamento não se limita ao preço do imóvel. Este representa o custo total da compra e o impacto que terá no seu rendimento nos próximos anos.

Para o definir de forma eficaz, deve considerar:

  • Entrada inicial (normalmente entre 10% e 20% do valor do imóvel);
  • Imposto Municipal sobre Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT);
  • Imposto do selo;
  • Escritura e registos;
  • Comissões bancárias;
  • Seguros (vida e multirriscos);
  • Prestação mensal do crédito habitação.

 

Regra prática

A taxa de esforço – ou seja, o peso das prestações no rendimento mensal – deve manter-se, em geral, abaixo de 30% a 35%, para garantir que o crédito é sustentável ao longo do tempo.

Embora não exista um limite legal fixo, os bancos seguem as recomendações do Banco de Portugal (máximo de 50%) e avaliam cuidadosamente a capacidade financeira de cada cliente antes de conceder crédito.

2. Analisar e escolher a melhor opção de crédito habitação

A maioria das compras de imóveis envolve financiamento. Antes de avançar, deve:

  • Comparar propostas de vários bancos;
  • Avaliar as vantagens ou desvantagens entre a taxa fixa ou variável;
  • Considerar prazo e impacto na prestação.

Dica importante

Solicite sempre uma pré-aprovação de crédito.

Segundo o Banco de Portugal, o crédito habitação deve ser contratado com base numa análise cuidada da taxa de esforço, das condições do empréstimo e dos riscos associados à variação das taxas de juro. Por isso, antes de decidir, pode utilizar o simulador do Banco de Portugal para perceber o impacto real do crédito no seu orçamento.

3. Procurar casa com estratégia, sem agir por impulso

Aqui começa a fase mais visível, mas também onde ocorrem mais erros. Antes de começar a procurar uma casa, defina:

  • Localização e alternativas;
  • Tipologia mínima;
  • Orçamento máximo realista;
  • Critérios não negociáveis.

Quanto mais realista for a sua abordagem, mais rápido e seguro será o processo de decisão. 

Depois de definir estes critérios, explore o mercado e perceba que opções existem dentro do seu orçamento e localização pretendida. Tenha em conta que procurar casa sozinho pode ser moroso e ineficiente; o acompanhamento profissional ajuda a filtrar opções, evitar visitas desnecessárias e identificar oportunidades relevantes.

4. Avaliar o imóvel e a zona envolvente 

Uma casa não é só o interior, mas sim tudo o que a envolve. Antes de avançar:

  • Visite a zona envolvente mais do que uma vez;
  • Vá em horários diferentes;
  • Avalie acessos, comércio e serviços;
  • Verifique exposição solar e ruído.

Apaixonar-se por um imóvel e ignorar a zona é um erro bastante comum. Aqui, um olhar experiente de um consultor imobiliário pode fazer toda a diferença para identificar problemas menos óbvios, avaliar o preço face ao mercado e evitar decisões baseadas apenas na emoção.

5. Fazer propostas e negociar condições

Negociar faz parte do processo e pode incluir:

  • Preço do imóvel;
  • Condições de pagamento;
  • Prazo para escritura;
  • Equipamentos incluídos ou não.

Imóveis há mais tempo no mercado tendem a ter maior margem de negociação. No entanto, negociar sem experiência pode significar pagar mais do que devia. Um profissional imobiliário pode ajudar a defender melhor os seus interesses.

6. Assinar o Contrato Promessa de Compra e Venda (CPCV)

O CPCV formaliza o acordo entre comprador e vendedor, de acordo com o Código Civil, e inclui, entre outros pontos:

  • Identificação das partes;
  • Preço do imóvel;
  • Prazo para escritura;
  • Valor do sinal e eventuais reforços.

Lembrete importante

Nos termos do artigo 442.º do Código Civil, se o comprador desistir após assinatura do CPCV, pode perder o sinal. Se for o vendedor a desistir, este deve devolver o dobro. 

Nunca assine sem compreender todas as cláusulas.

7. Reunir toda a documentação necessária 

Antes da escritura, garanta que tudo está regularizado, nomeadamente:

  • Documentos do imóvel:
  • Certidão predial permanente;
  • Caderneta predial;
  • Licença de utilização;
  • Ficha técnica da habitação e respetiva prova de depósito;
  • Declaração de não exercício do direito legal de preferência (quando aplicável);
  • Certificado energético.

Em alguns casos, como os imóveis localizados em zonas de reabilitação urbana, o Estado ou a Câmara Municipal têm direito de preferência na compra. Nestas situações, é obrigatório publicitar a intenção de venda no site justiça.gov, permitindo que estas entidades exerçam (ou não) esse direito.

Caso não tenha interesse, é emitida a declaração de não exercício do direito de preferência, necessária para avançar com a escritura.

Nesse momento, o comprador deve reunir os seguintes documentos:

  • Cartão de cidadão;
  • Comprovativos de rendimento;
  • Documentos do crédito habitação.

Verificar todos estes documentos atempadamente é essencial para garantir que o imóvel não tem dívidas, ónus, encargos ou irregularidades legais que possam comprometer a compra.

8. Realizar a escritura

A escritura pública formaliza a transmissão da propriedade, conforme previsto no Código do Notariado. Neste momento:

  • O imóvel passa oficialmente para o nome do comprador;
  • O banco liberta o financiamento;
  • São pagos impostos e custos finais.

Só após a escritura e registo na Conservatória é que o comprador passa a ser legalmente proprietário do imóvel.

Exemplo: quanto custa comprar uma casa de 200.000 euros?

Para perceber melhor o impacto financeiro, veja um exemplo simplificado de compra de um imóvel com o valor de 200.000 euros.

Nota: os valores são meramente indicativos e podem variar consoante a localização, finalidade do imóvel e condições de financiamento.

Estimativa de custos

Tipo de custo

Valor aproximado

Entrada (15%)

30.000€

IMT

4.000€ a 6.000€

Imposto do selo (0,8%)

1.600€

Escritura e registos

1.000€ a 2.000€

Comissões bancárias e seguros

1.500€ a 3.000€

Total inicial estimado (sem contar com o crédito): entre 38.000 e 42.000 euros.

Estimativa de prestação mensal 

  • Crédito: 170.000 euros
  • Prazo: 30 anos
  • Taxa de juro: 3,5% (apenas indicativa)

Prestação aproximada: entre 760 a 800 euros por mês.

Este exercício ajuda a perceber que o valor da casa é apenas uma parte do esforço financeiro total.

Comprar casa com ou sem agência imobiliária: será que faz diferença?

Comprar casa sem apoio profissional pode parecer simples, mas envolve riscos que muitos compradores só percebem tarde demais. 

Uma imobiliária não serve apenas para mostrar imóveis: orienta decisões, evita erros e protege o comprador.

Fator

Com imobiliária

Sem imobiliária

Pesquisa

Filtrada e ajustada ao perfil

Dispersa e demorada

Acesso a imóveis

Mais opções (incluindo off-market, ou seja, fora do mercado público)

Limitado

Avaliação

Apoio profissional

Dependente da experiência

Negociação

Estratégia estruturada

Com base na experiência individual

Burocracia

Acompanhamento completo

Responsabilidade total

Risco

Reduzido

Elevado

Tempo e stress

Menor

Elevado

Na prática, contar com o apoio de profissionais especializados significa menos incertezas, menos riscos e decisões mais informadas.

Uma rede como a ERA, por exemplo, garante acompanhamento completo e segurança em decisões que envolvem valores elevados.

Riscos e fraudes na compra de casa: como se proteger?

Comprar uma casa envolve valores altos, tornando o processo vulnerável a fraudes, sobretudo quando feito sem acompanhamento. 

Alguns riscos incluem:

  • Anúncios falsos;
  • Pedidos de sinal sem proteção legal;
  • Documentação incompleta;
  • Imóveis com ónus ou encargos ocultos;
  • Intermediários não credenciados.

O apoio profissional ajuda a validar informações, confirmar documentação e garantir que o processo decorre de forma legal e com segurança, evitando perdas financeiras significativas.

7 erros a evitar ao comprar casa

Mesmo com informação, há erros que continuam a repetir-se e que podem custar milhares de euros ou gerar problemas difíceis de resolver. Os mais comuns são:

  1. Comprar sem pré-aprovação de crédito: avançar sem saber se o banco financia pode levar à perda do negócio – ou do sinal;
  2. Focar-se apenas no preço do imóvel: ignorar impostos, seguros e comissões cria uma falsa perceção do orçamento;
  3. Esticar demasiado a taxa de esforço: uma prestação confortável hoje pode tornar-se um problema se as taxas subirem; 
  4. Não analisar a zona envolvente: a casa pode ser perfeita, mas a localização pode comprometer a decisão;
  5. Decidir com base na emoção: a pressa e o entusiasmo são inimigos de uma boa negociação;
  6. Não verificar a documentação: imóveis com ónus, dívidas ou irregularidades podem gerar complicações legais;
  7. Negociar sem estratégia: sem conhecimento de mercado, é fácil pagar mais do que necessário.

Evitar estes erros é, muitas vezes, o que distingue uma boa compra de uma má decisão.

E se precisar de vender outra casa antes de comprar?

Este é um cenário comum, que exige planeamento.

Vender primeiro:

  • Mais seguro;
  • Evita pressão financeira;
  • Permite negociar melhor.

Comprar primeiro:

  • Maior risco;
  • Pode perder a nova casa ou sentir-se forçado a vender a atual abaixo do valor de mercado para não perder uma boa oportunidade. 

Como está o mercado imobiliário em Portugal?

O contexto do mercado tem um impacto direto nas decisões de compra. Nos últimos anos, o mercado imobiliário em Portugal tem sido marcado por:

  • Aumento generalizado dos preços, sobretudo nas grandes cidades;
  • Taxas de juro mais elevadas, com impacto no crédito habitação;
  • Oferta limitada de imóveis, especialmente em zonas urbanas;
  • Maior procura por parte de compradores nacionais e estrangeiros.

Este cenário torna ainda mais importante:

  • Definir bem o orçamento;
  • Comparar opções com rigor;
  • Evitar decisões impulsivas.

Comprar casa continua a ser uma opção válida, mas exige hoje mais planeamento e análise.

Que apoios existem para comprar casa em Portugal?

Dependendo do perfil do comprador e da localização do imóvel, podem existir apoios e benefícios que ajudam a reduzir o custo da compra. Entre os principais, destacam-se:

Isenções ou reduções de IMT

Em alguns casos, sobretudo para habitação própria permanente e determinados escalões de valor.

Apoios para jovens compradores

Incluem benefícios fiscais ou condições específicas de financiamento, consoante as medidas em vigor.

Programas municipais

Algumas câmaras municipais disponibilizam incentivos à fixação de população, especialmente fora dos grandes centros urbanos.

Benefícios fiscais associados à habitação própria

Podem existir vantagens no IRS, dependendo da sua situação.

Como estas medidas variam ao longo do tempo, é importante confirmar sempre as condições atualizadas antes de avançar com a compra. 

Como comprar casa em Portugal com segurança e confiança?

Saber como comprar casa em Portugal não é apenas conhecer etapas, mas sim tomar decisões informadas.

Se definir um orçamento realista, garantir financiamento e escolher com critério, já está à frente. No entanto, o apoio profissional faz diferença entre uma compra segura e uma decisão precipitada.

No final, não se trata apenas de comprar casa. Trata-se de fazer uma escolha segura, sustentável e ajustada à sua realidade. Explore as opções disponíveis e avance com confiança.

Perguntas frequentes sobre como comprar casa em Portugal

Este é um processo com várias etapas, termos técnicos e decisões importantes. Para ajudar, reunimos as respostas a algumas das perguntas mais frequentes.

Quanto dinheiro é preciso para comprar uma casa?

Para comprar casa em Portugal, deve contar com:
- Entrada inicial (10% a 20% do valor do imóvel);
- Impostos (IMT e Imposto do Selo);
- Custos de escritura e registos;
- Despesas com crédito (comissões e seguros).

No total, os custos podem representar cerca de 6% a 10% do valor do imóvel, além da entrada.

Geralmente, não. Se comprar com crédito, os bancos financiam até no máximo 90% do valor do imóvel para habitação própria permanente. Isto significa que terá de ter capitais próprios para a entrada e restantes custos. 

No entanto, existe uma exceção para os jovens, através da Garantia Pública do Estado. Esta medida permite que o banco possa financiar até 100% do valor do imóvel, desde que sejam cumpridos alguns critérios, como idade, rendimentos e limites do valor da casa.

O processo pode demorar entre um a três meses, dependendo de alguns fatores:
- Aprovação do crédito habitação;
- Negociação com o vendedor;
- Tratamento da documentação.

No entanto, com acompanhamento profissional este prazo tende a ser mais rápido e previsível.

O CPCV é um contrato entre o comprador e o vendedor, que define as condições da transação.
Não é obrigatório por lei, mas é altamente recomendado para garantir segurança jurídica até à escritura e assegurar compromissos com a reserva do imóvel.

Depende. Temos um artigo dedicado ao tema, onde pode explorar as duas opções e perceber qual é melhor para si.

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